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A CPI do Senado que investiga maus-tratos em crianças e adolescentes realiza audiência pública para ouvir o técnico de ginástica olímpica Fernando de Carvalho Lopes. Ele é acusado de abuso sexual por cerca 40 atletas e ex-atletas.
A CPI do Senado que investiga maus-tratos em crianças e adolescentes realiza audiência pública para ouvir o técnico de ginástica olímpica Fernando de Carvalho Lopes. Ele é acusado de abuso sexual por cerca 40 atletas e ex-atletas.

Postado em 16 de maio de 2018, por Alexandre Melo.

FERNANDO LOPES NEGOU OS ABUSOS E CLASSIFICOU AS ACUSACÕES COMO “VINGANÇA”

Em depoimento à CPI dos Maus-Tratos, o ex-técnico da seleção brasileira de ginástica olímpica Fernando de Carvalho Lopes negou ter abusado de atletas. Lopes foi afastado da equipe olímpica dos Jogos Rio 2016, após denúncias de um menor. Durante o depoimento, Lopes classificou de “vingança” a acusação dos ex-atletas e disse que foram induzidos a falar mal dele. “Acredito numa indução de formação de opinião, principalmente de quem é mais novo. Com relação a muitos que me acusam, são os mesmos que bateram na minha porta pedindo para voltar a treinar comigo. Alegam que foram abusados quando mais novos, mas passam-se oito, nove anos e pedem para retornar”, afirmou.

As perguntas foram feitas pelo presidente da comissão, senador Magno Malta (PR-ES), e pelo relator José Medeiros (PODE-MT) que, ao final da sessão, aprovaram a quebra de sigilo telefônico e fiscal de Fernando Lopes. Por solicitação de Magno Malta, o próprio ex-técnico autorizou a quebra de sigilo dos e-mails e mensagens trocadas por ele e os atletas.

Segundo o ex-treinador, as denúncias podem ter sido motivadas pelo estilo rígido com que trabalhava. “Eu xingo, falo palavrão, mas nunca tive intuito de assédio sexual”, disse, complementando que a carreira concorrida que ocupa poderia gerar tentativas de prejudicá-lo, por parte de outros técnicos.

Ele também foi questionado também por supostos desvios de dinheiro público destinado a pagar a bolsa dos jovens. Segundo ele, os salários eram repassados conforme orientação da supervisora do clube. Após ser perguntado várias vezes sobre a identidade da supervisora, o ex-técnico da seleção escreveu em um papel o nome dela, que foi lido em voz alta pelo senador Magno Malta. O parlamentar afirmou que vai convocá-la para as próximas reuniões da CPI, assim como dois ex-atletas, que hoje são maiores de idade e farão uma acareação com o acusado.

A CPI foi criada no ano passado para investigar crimes relacionados a maus tratos de crianças e adolescentes. Nesta quinta-feira (17), vai promover uma audiência pública para a qual foi convidado o atleta Diego Hypólito, que também disse ter sofrido abusos ao longo de sua carreira.

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